Comentário da leitora Rosely a propósito do post Confrontos de turmas em Belterra

Esse texto é uma forma de tentar entender mais ou menos o que se passa na cabeça dos adolescentes. Vamos ajudar para que mais tarde possamos sentir orgulho deles. É uma questão de diálogo entre pais e filhos. Para que os mesmos sintam-se motivados e preparados a enfrentar o mundo sozinhos.

A adolescência é, em especial, um período de muita instabilidade para as pessoas, pois nela ocorrem diversas transformações hormonais que mexem não só com o corpo, mas também com a mente. Após os 11 anos, o pensamento já atinge um certo nível de abstração, então a percepção passa a ser também subjetiva, o que permite ao adolescente fazer uma reflexão crítica das coisas, nesta hora, os pais, que se esforçaram em dar condições aos filhos de questionamento da realidade, vão perceber antes dos outros os primeiros resultados desse esforço, muitas vezes em forma de um questionamento a respeito deles pais, o que não deve ser encarado como algo negativo, e sim a nascimento de um novo projeto de vida.
Entretanto, muitas vezes, observa-se um comportamento esquivo em adolescentes, tal como, querer dormir demais, ser muito tímido, não ter ânimo para sair de casa ou fazer as coisas, comer absurdamente, ficar o tempo todo jogando no computador, uso de drogas, ficar com a atenção presa a TV, etc., mas este comportamento é uma fuga do paradigma que o aflige. Da mesma forma, que muitos pais enchem seus filhos com “gordas” mesadas, cedem-lhe às vontades, ou os matriculam em uma enorme quantidade de tarefas extracurriculares, para fugir do mesmo paradigma. Estes são, sem dúvida, comportamentos que fogem da tentativa de comunicação entre pais e filhos, mas a comunicação com os pais é de grande valor para os filhos, bem como suas opiniões lhes servem na formação do caráter. Nada disso, vai fazer com que os filhos sigam estritamente o que os pais lhe recomendam, contudo com certeza vai influenciar suas ações e diminuir a angústia de ambos.
Pais e adolescentes sofrem com as mudanças que ocorrem nesta fase do desenvolvimento humano (que vai dos 11 ou 12 anos até os 17 ou 18 anos), a tarefa de saber como se educar já não é fácil, aliás, é uma proposição suficientemente difícil em qualquer idade, nesta as dificuldades são ainda maiores, mas exatamente por ser um período de grandes mudança é que ele se torna um período muito fértil e criativo, que pode desembocar em um relacionamento muito bom entre pais e filhos, mas para isso, ambos tem de enfrentar o problema juntos, encarando as dificuldades e respeitando uns aos outros, se comunicando sinceramente, sem medo e sem julgamentos, apenas, honestas tentativas de ajudar.